“Mandou-me procurar? Passe, Cidadão!”. Esta foi a senha e contra-senha utilizada pelos revolucionários no dia 5 de Outubro de 1910.
Um século depois da implantação da República, é tempo de recordar os factos e as circunstâncias que a ela conduziram e os seus protagonistas.
O republicanismo, antes de ser regime, constituiu um movimento cultural regenerador que almejava uma modernização de todos os sectores da sociedade portuguesa.
Hoje, percorridos 100 anos sobre o seu início, pensar o presente e o futuro da República constitui também um aliciante desafio.
A presente exposição pretende introduzir o visitante no contexto económico, político, cultural e das mentalidades que se viveu durante a transição revolucionária da Monarquia para a República, fornecendo informação que permita conhecer os principais factos e personalidades que marcam esta cronologia.
Celebrar a República é relembrar a sua história, envolvendo a comunidade.
REPÚBLICA E REPUBLICANISMO
Maria Cândida Proença e Luís Farinha
"Um século depois do 5 de Outubro e mais de oito décadas após a sua queda,
a Primeira República é ainda hoje memorada pela revolução política que lhe
deu origem e pelas vicissitudes de um regime instável que, de solução, se
tornou ele próprio, com o decorrer do tempo, num problema a resolver.
Contudo, a República e o Republicanismo foram, antes de regime, um
movimento cultural regenerador que, para além da mudança do sistema
monárquico, pugnava pela democratização da sociedade portuguesa, pela
laicização das instituições e das consciências e pela modernização
económica e social do país. Constituiu-se como movimento em meados do
século XIX, depois do afloramento revolucionário de 1848, instituiu-se como
partido com a finalidade de disputar o poder político a partir da década de 80,
falhou o golpe revolucionário em 31 de Janeiro de 1891, reforçou o seu
compromisso histórico interclassista no modo ordeiro como disputou as
eleições parlamentares e municipais e, sustentado por um bloco histórico
vasto e diversificado, preparou a transição revolucionária de 1910 a partir do
Congresso de Setúbal do ano anterior."